quinta-feira, 15 de abril de 2010

Para onde vão?

Era uma grande montanha, de encostas traiçoeiras e escorregadias, uma cicatriz no céu azul. Ele a escalou e depois atravessou um rio a nado, a mochila lhe pesando nas costas o tempo todo.
Comia peixes que catava pelo caminho e frutas - quando as encontrava.
Enfim chegou sujo e cansado ao seu destino, um templo escondidos entre pedras enormes. Estava sujo, cansado e faminto. Não por comida - a essa fome já havia se acostumado faz tempo. Tinha fome de respostas.
Uma vez no templo, foi recebido por monges trajando robes simples e cabeças raspadas. Testaram sua coragem em uma sala forrada de brasas, sua sabedoria com uma série de enigmas e sua ambição com uma única pergunta.
Finalmente, ele foi levado à presença da Sábia.
- Para onde vão os corações partidos?
- Eu não sei. - ela respondeu, enfiada em diversas camadas de pano vermelho. - Mas sinto falta deles, de alguma forma.
- Eles podem encontrar seu caminho pra casa?
- Eles nunca foram embora.

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