A porta se fechou atrás dele com um rangido de madeira velha. A música do andar de baixo, abafada. André sentia nas orelhas, na garganta, a própria pulsação. A mão dela segurava a ponta dos dedos dele. Percebeu que suava. Abriu a boca para falar – o coração parecia que ia lhe saltar garganta a fora – mas desistiu. Os olhos se acostumavam à escuridão. Ela o puxou e antes mesmo dele perceber ela estava envolta em seus braços, lábios tocando pescoços e orelhas, dedos deslizando por costas. Respirações entecortadas, o coração acelerado, o som repetitivo de tecido contra tecido. O cheiro de álcool no hálito dela. Os olhos – ele viu os olhos. “A gente não devia fazer isso”, pensou em dizer. “Deita ali e tira a calça”, também pensou em dizer.
- Você é linda. – acabou dizendo, a voz falhando. Mal conseguia vê-la no escuro.
Ela murmurou alguma coisa no ouvido dele. André não entendeu uma palavra, mas o hálito quente do sussurro acabou com todas as suas dúvidas. Derrubou-a na cama, arrancando a camiseta e jogando longe ao mesmo tempo que tateava o fecho do sutiã.
- ‘peraí, ‘peraí. –ela disse, se afastou um pouco e ele quase achou que ia acabar por ali mesmo. – ‘xa que eu tiro.
Bárbara não era uma menina especialmente bonita. Ela não era feia, mas sim bastante comum. Ela tinha essa certa tendência a acabar sendo ignorada justamente por causa disso. Para compensar a falta de atrativos físicos, Bárbara tomava a iniciativa. E tinha ficado evidente para André como isso era eficaz. Mesmo regulando idade com ele, Bárbara deixou bem claro que já tinha considerável experiência.
Suado e satisfeito, André se vestiu apressadamente assim como Bárbara. Com um último beijo molhado, ela escancarou a porta de madeira – rangendo de novo – e desceu os degraus rapidamente.
Envolto pela música do andar de baixo, André se sentia estranho. Ele esperava que magicamente se sentisse um homem, mas só se sentia um menino. Um menino com medo de que o primo descobrisse o que ele tinha acabado de fazer.
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