In brightest day, in blackest night,
No evil shall escape my sight
Let those who worship evil's might,
Beware my power...Green Lantern's light!
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Apesar de toda sua raiva, ainda era um rato em uma gaiola
A mente cansada de André, após a costumeira maratona que era sua vida de estudante de colégio integral, percorria cuidadosamente os eventos nada normais da última semana, revisando-os e tentando tirar algum sentido dos mesmos.
Chateado com sua incapacidade de dormir, levantou-se, derrubando as cobertas no chão. O frio o abraçou como uma amante falsa e mesquinha; uma sensação que o rapaz ainda não conhecia, mas que logo figuraria entre suas lembranças mais detestadas.
O corpo todo doía. Sem dúvida, os eventos recentes haviam exigido dele mais do que estava acostumado a fazer. Não que ele fosse completamente fora de forma; mesmo consumindo uma quantidade assustadora de comida pouco saudável, André contava com um metabolismo acelerado próprio da adolescência e exercícios regulares na forma de natação e aulas de judô. Nada disso o havia preparado para uma maratona de fuga, correndo e se escondendo por mais de seis horas. Ele sentia que seu corpo devia doer mais devido aos golpes que havia recebido, mas estranhamente até as marcas roxas da pele sumiram em pouco tempo. De certa forma isso preocupava o rapaz.
O que mais o preocupava, porém, é que independente da bizarrice de seus últimos dias, o que mais o incomodava e o que realmente o impedia de dormir era a mudança no comportamento de Vanessa. Em um dia estavam tão próximos, no outro tão distantes. O que podia estar acontecendo para aquela menina que ele sabia ser tão solitária subitamente se afastar de quem ela mesma dizia ser seu único amigo?
Então, alguma coisa bateu na janela de André. Fogo queimou nos seus olhos e no seu sangue. Seu coração se acelerou. E uma parte do que era ele, pequena mas significativa, morreu naquele momento.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Epílogo
Achava tolice depois de tudo que já tinha se passado com ele, mas não conseguia evitar. Suspirou e entrou na antiga padaria, tão conhecida das manhãs de sábado. Ele esperava que o lugar fosse parecer diferente, distorcido - como ele próprio. A padaria, recém-pintada, com novos funcionários uniformizados, ainda parecia o mesmo lugar, de alguma forma. O mesmo cheiro de pão novo, a mesma rachadura circulando a grande lâmpada central.
Daniel estava sentado diante do balcão, com duas garrafas vazias de Coca-Cola diante dele e uma em suas mãos. Ele saudou André com a garrafa e o mais novo se sentou no banco ao lado.
- Você não mudou nada. - disse André ao se sentar, pesar de Daniel ter abandonado o cavanhaque e usar o cabelo um pouco mais curto. Sua aura continuava a mesma e André se acostumara a ver as pessoas assim.
- Não posso dizer o mesmo de você. - respondeu o ex-vocalista dos Ratos.
Era verdade. André crescera, como era de se esperar - regulava altura com o primo, agora. Seus olhos estavam mais escuros, sua voz mais grave, seus movimentos mais econômicos, sua postura mais alerta, sua pele mais queimada do sol. Vestido em uma calça de brim preta e uma camiseta cinza, parecia outra pessoa. Ele mesmo pensava concordava com o comentário, fazendo raciocínio similar quando se lembrava das cicatrizes novas - físicas e emocionais.
Um silêncio desconfortável se instalou. André mantia um sorriso bobo de fã diante do primo que - percebia agora - ainda era seu ídolo. Daniel bebia a Coca-Cola em goles pequenos, sem dar muita atenção ao resto do mundo.
- Então, - começou André, a voz saindo errada. - o que tem feito?
- O mesmo de sempre. Você?
Daniel mentia, embora sem saber. Os Ratos haviam se separado, ele não namorava mais Melissa, não trabalhava mais na loja de discos, havia vendido o carro. Para ele, porém, a vida continuava igual. Nada lhe parecia ter mudado. A falta desse conhecimento causou em André forte inveja. Ele sentia falta dos velhos tempos, da tranquilidade e - por que não? - inocência de sua juventude. Sentiu vontade de contar ao primo tudo que havia feito nos últimos anos, mas sabia que não devia. Escolheu contar parte da verdade.
- Faço uma tradução aqui ou ali. De vez em quando fico de intérprete. Tenho viajado bastante. Freelance, sempre.
- Que foda, cara. - Daniel disse, faltando ênfase nas palavras. - Muito foda mesmo. Tá curtindo?
- É... às vezes. Sei lá. - Dúvida. - Sinto... sinto falta dos velhos tempos.
- Você cresceu, cara. Você cresceu. É só isso. - Daniel deu um tapa camarada no ombro do primo.
- Mas sabe... às vezes eu não me reconheço. As coisas que eu faço, que eu tive que fazer... eu não me sinto mais a mesma pessoa. Me olho no espelho e penso... 'quem é esse cara?', sabe?
- Não, cara... não sei não. Mas se liga. Tu passou dessa fase, tu cresceu mesmo. Evoluiu, sei lá. Não tem que se sentir esquisito, porra. - ele ia acender um cigarro, mas desistiu.
- Se isso é evolução, Darwin é um babaca.
Riram os dois. Daniel riu de verdade. André riu por hábito.
- E a Melissa? - perguntou André.
- Se mandou. - Daniel deu de ombros. - Se mandou. Faz uns meses já... um ano talvez. Coisa assim. - Diante dos olhos arregalados do primo, adicionou. - Essas coisas acontecem. Você vai ver.
André sorriu, duvidando entrar em um relacionamento tão cedo.
- Você trouxe o que eu pedi? - o primo mais novo mudou de assunto rapidamente.
- Trouxe. - Daniel tirou uma foto do bolso e entregou para o primo. - Por que isso é tão importante?
André olhou a foto velha de um ensaio dos Ratos. Todos os velhos amigos enfiados no estúdio bolorento, cabelos grandes desgrenhados, camisetas pretas.
- É importante. Pode crer, é importante.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Gris II
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Para onde vão?
terça-feira, 30 de março de 2010
Whereabouts unknown
sexta-feira, 26 de março de 2010
Infeliz
Quero um mundo livre, bonito, de moral aceita e não imposta. Quero justiça, quero civilidade, quero compreensão. Quero ajudar, quero poder ajudar, quero fazer parte, quero enfrentar, quero saber quem enfrentar. Quero fazer tudo isso para poder escrever sobre tudo isso.
O mundo me parece infeliz. O que escrevo me parece infeliz.
Talvez eu só esteja infeliz.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Inércia
Chovia. Chovia fraco e chovia preguiçoso, como uma goteira mal fechada que pinga a madrugada inteira. Mais pingava que chovia. As gotas, de lentas que eram, pouco faziam para tirar a poeira da janela.
Douglas observava, uma lata quase vazia de chá gelado na mão, apoiado ao batente. Costumava ser um grande admirador do outono. Apreciava imensamente os dias de sol, mornos como abraço de amigo, entrecortados de brisas refrescantes. Mantinha também um carinho especial pelos dias nublados de chuva fina e frio que dispensava agasalhos.
"Hoje não é um dia desses", pensou um desanimado Douglas. "Esse não é o cinza do meu outono. É tímido demais."
Enquanto via por sua moldura arruinada as pessoas se arrastando pela vida lá fora, Douglas se perguntava o quão distante estava daquilo. Não se arrastava, também, pela vida? Não permanecia, ele próprio, num estado de repouso até que um ou outro evento o arrancasse do mesmo?
- Talvez seja mesmo hora de agir. - disse para ninguém em particular.
O rapaz de cabelos castanhos e olhos negros, do alto de suas quase duas décadas, tinha muito do que se arrepender. De alguma forma, apesar de sujeito à mesma inércia que condenava nos transeuntes logo abaixo, Douglas não tinha dúvidas de que vivera plenamente até ali. Ele havia errado, acertado, sofrido, sorrido, ferido e sangrado. Coincidências, destino talvez - mas nunca escolhas conscientes.
"Mais isto que aquilo.", e tomou em mãos o telefone. Decidiu desafiar a inércia da vida, uma vez que fosse, por conta própria.
- Alô, Vanessa? É o Douglas...
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Orgulho. 誇り . Pride. Medo. 心労 . Fear.
Eu me considero uma pessoa orgulhosa... mas sinto muito medo.
Quando você tem um orgulho 'de nicho', acho bem aceitável sentir medo em outras questões. Um leve receio em uma situação que seu nicho é ameaçado também é aceitável. Mas medo beirando o pavor? Isso fere o orgulho. Se você tem orgulho de sua habilidade, um oponente à altura não deve te apavorar - deve te motivar.
O medo é um mecanismo de defesa. É uma parte do seu subconsciente dizendo 'sai dessa'. Uma vozinha no fundo da cabeça te dizendo pra fugir. Às vezes o medo pode te salvar a vida, mas muitas vezes ele te sabota com aquele segundo de hesitação, com aquele momento de 'talvez eu não consiga'.
Pode ser que meu orgulho já esteja rachado demais, no final das contas.
Did you see the sky?
I think it means that we've been lost.
Maybe one less time is all we need.
I can't really help it if my tongue's all tied in knots.
Jumping off a bridge, it's just the farthest that I've ever been...
Anywhere you go, I'll follow you down...
anyplace but those I know by heart.
Anywhere you go, I'll follow you down...
I'll follow you down, but not that far.
I know we're headed somewhere, I can see how far we've come.
But still I can't remember anything.
Let's not do the wrong thing and I'll swear it might be fun.
It's a long way down when all the knots we've tied have come undone.
Anywhere you go, I'll follow you down...
anyplace but those I know by heart.
Anywhere you go, I'll follow you down...
I'll follow you down, but not that far.
How you gonna ever find your place
running in an artificial pace?
Are they gonna find us lying face down in the sand?
So what the hell now, we've already been forever damned!
Anywhere you go, I'll follow you down...
- Gin Blossoms, Follow You Down
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Blood Moon

A primeira lua cheia depois da lua da colheita, a lua cheia mais próxima do equinócio de outono.
Considero um mau agouro.
Ver uma lua vermelha no horizonte, pra mim, é um presságio de tempestade. De trovões e relâmpagos, de terra tremendo. De furacões soprando, de rios transbordando. É, parece que o tempo fechou...
Uma lua vermelha representa as épocas ruins.
Mas mesmo que isso me arruine, tudo o que eu preciso é ainda ter forças pra dizer: vou orar por compreensão, vou orar pelo seu sucesso.
