Harry Potter
Se alguém me perguntasse sobre Harry Potter quando eu era moleque, eu teria uma de duas respostas na ponta da língua, dependendo da pessoa. Na maior parte dos casos, eu só diria que odiava, que achava idiota e infantil, que a capa era feia, que todos os leitores eram imbecis. O pior é que praticamente todo mundo queria que eu lesse Harry Potter por algum motivo. Todo mundo achava que por gostar de literatura de fantasia eu ia gostar daquilo. O moleque usava uma varinha, cacete. Tem como ser mais escroto que isso?
Hoje eu continuo não entendendo Harry Potter. Vi três dos filmes e comecei a ler o primeiro livro mais de uma vez. Não gostei, simplesmente não me fisgou. Não é nenhum defeito da série, inclusive a autora parece ter uma narrativa bem fluida pelo pouco que li. Estou bastante interessado em ler o livro para adultos que ela lançou recentemente. Eu até gosto de Books of Magic, que tem tantas similaridades com Harry Potter. Não sei explicar o motivo de não curtir a série. Acho que eu simplesmente não entendo Harry Potter.
Religião
Do alto da minha molequice, eu era o seu ateísta adolescente clássico. Odiava todas as religiões, achava que todas elas não traziam nada de bom, desdenhava de tudo abertamente, generalizava absolutamente tudo. Eu devia ser um porre. Ainda bem que não existia Facebook na época.
Anos depois e passando por meia dúzia de colapsos nervosos, acabei encontrando minha fé. Qual é a minha religião não vem ao caso, a questão é que eu guardo ela pra mim. É minha crença, ela me ajuda quando eu preciso e não é da conta de mais ninguém. A minha falta de crença eu esfregava na cara de todo mundo. Será que não dava pra todo mundo ser um pouco assim? Se você acredita em alguma coisa ou não é problema seu. Tolerância faz bem pra todo mundo e tanto religiosos quanto ateus podiam exercer um pouquinho.
Jornada nas Estrelas
Eu vi muito pouco da série clássica de Star Trek. Antes mesmo de ter visto, por algum motivo, eu já odiava. Acho que deve ter tido alguma coisa a ver com os heróis de Star Trek terem pistolas e os heróis de Star Wars terem espadas. Na minha cabeça de 15 anos, gostar dos dois era um crime e eu preferia sabres de luz (parece que muita gente ainda pensa assim).
Depois de ver os filmes da Nova Geração e o reboot do J.J. Abrams, te digo sem medo - gosto dos filmes de Star Trek. Sim, só dos filmes. Todo o resto que eu tentei ver é tão datado que eu não consigo achar divertido. Diabos, Kirk, vá escalar uma montanha. Não entendo trekkers e acho que nunca vou entender.
Flamengo
Quando eu era muito criança, eu fui flamenguista. Meu pai era flamenguista e a coisa meio que fluiu daí. Eu nem ligava muito pra futebol na época, então não fazia muita diferença. Fui ligando menos e menos para futebol até nem lembrar direito pra qual time eu torcia.
A camisa clássica do Fluminense é linda. Isso não me fez escolher meu time de coração. Foi Nelson Rodrigues. Vi um dos seus famosos discursos sobre o Fluminense em um programa de esportes da vida e antes que eu percebesse, meu coração já era tricolor. Fui me interessando mais e mais por futebol até que a Libertadores de 2008 me transformou num torcedor de verdade. Hoje sou tricolor de corpo e alma e continuarei sendo até morrer.
Obviamente, minha opinião sobre o Flamengo mudou. Se antes eu praticamente não me importava com o time rubro-negro, hoje é a equipe que eu mais adoro odiar. Cada tropeço em um campeonato é um sorriso, cada Magal contratado é uma gargalhada, cada Ronaldinho ou Vagner Love que vão embora é uma piada pronta. Eu torço por dois times - pro Fluminense e pra quem quer que esteja jogando contra o Flamengo. Até hoje eu não entendo torcedores do Flamengo. Pra que torcer pra esse time, quando podem torcer pro Fluminense?
Chá: O meu ódio mais silencioso durante a adolescência foi contra o chá. Minha mãe me dava chá quando eu estava resfriado ou com alguma outra doença e era um saco. Era água suja e quente! Pra mim era um suplício e ainda tenho vagas lembranças de chorar e espernear e discutir para evitar tomar uma xícara daquela bebia infernal (talvez isso tenha sido anterior à adolescência). O pior do meu ódio por chá é que eu não podia compartilhar com ninguém. Sempre tinha um ou outro amiguinho que odiava Harry Potter pra gente rir juntos pensando como éramos infinitamente mais inteligentes que todo o resto por ler [insira-mangá-da-vez] em vez daquilo. Mas chá? Eu tinha pra mim que era um ódio solitário. Deixei guardado comigo por muito tempo.
Só fui começar a dar uma segunda chance pro chá recentemente. Minhas primeiras experiências com iced tea foram péssimas, basicamente por eu não gostar de pêssego e só servirem iced tea de pêssego em tudo quanto é canto. Depois de experimentar um iced tea de limão, curti. Dois minutos de pesquisa depois, descubro que iced tea não é chá, é refrigerante. Pensando que algum dos meus ódios adolescentes era justificado, decidi seguir em frente - até que um dia no trabalho quando eu percebi que tinha água quente e um monte de saquinhos de chá. Prestes a entrar numa dieta, respirei fundo e decidir dar uma nova chance. Acontece que chá de hortelã é uma delícia. Tenho tomado com frequência e é a minha bebida quente favorita. Também não é raro achar iced tea de limão na minha geladeira. Chá foi de longe o mais injustiçado dos meus ódios, por ser uma coisa que eu realmente não entendia. Isso ou minha mãe esquentava a água demais.

