Nem tudo são trevas, relly - Kick-Ass me surpreendeu, minhas webcomics nunca me abandonam, One Piece fica cada vez mais foda (mas os dois últimos capítulos de Fairy Tail foram meio meh - taí, pronto, falei, agora logo mais eu vou chorar, fodeu)...
...e tem Year of Rogue Dragons.
Não, não é uma história em quadrinhos e sim um livro (uma trilogia, actually)... infelizmente. Não que seja mal escrito, não que a narrativa não seja instigante, não que os personagens não sejam bem desenvolvidos e carismáticos, não que a história não seja bem amarrada - anos-luz longe disso, a série é MUITO maravilhosamente foda. O que falta é o visual. Embora eu tenha minhas próprias imagens mentais de Dorn, Taegan e cia (aliás, tenho que mencionar - pra mim o Taegan parece o Domenik de Merc$ e as escamas da Kara são roxas, não importa o que o livro me diga não consigo imaginar diferente), tem algumas cenas tão supercalifragilisticamente ultrafodásticas que eu PRECISO ver aquilo em tinta, o vermelho do sangue, o brilho do metal, o ódio nos olhos dos dragões e a fodacidade do Dorn.
Dorn Graybrook, protagonista da série, é sem dúvida alguma o Chuck Norris de Faerun. Ele encara na unha (literalmente) um dragão negro praticamente por conta própria logo no começo do livro. Dorn tem todo um estilo de luta exótico, tem cu de encarar dragões usando armadura de couro (tá, metade do corpo dele é de metal, foda-se, mas enfim) e não leva desaforo pra casa.
Tá, vou parar de fanboyzice e falar da série de verdade. Primeiro, uma sinopse simples, rápida e rasteira spoiler free: os dragões de Faerun de tempos em tempos passam por uma Rage, em que todos enlouquecem gradualmente e esse tempo está chegando... mas essa nova Rage será diferente e aparentemente pra sempre. A base da história é essa. Mais adiante eu vou fazer uma longa rant com spoilers sobre o vilão, me aguardem.
Em termos de estilo, esses livros não têm nenhuma grande novidade. Rick Byers segue meio que uma fórmula consagrada de R.A. Salvatore nesse sentido, o que dá uma certa uniformidade a todos os romances de Forgotten Relams. Literatura de fantasia em geral sofre muito preconceito então sinceramente não vejo nenhum motivo pra condenar um escritor por seguir uma fórmula de tamanho sucesso. Um twist bem interessante que é mais uma questão de narrativa que de estilo é que os personagens principais possuem históricos interessantes mas bem simples, que podem ser resumidos em uma frase - como os bons e memoráveis personagens da sua mesa de D&D da noite de sábado (eu sei que é isso que você faz das suas noites de sábado, não pense que você me engana). R.A. Salvatore tem toda aquela paixão por longos históricos maravilhosamente intricados e complexos que você simplesmente vai esquecer quando a coisa voltar pro plot principal. Rick manter tudo simples e irado.
Ah, se tem uma coisa que os protagonistas têm é carisma. A dinâmica do grupo é deliciosa. Dá pena nos momentos que eles se separam. Todos, sem exceção, têm seus momentos de brilhar. E que momentos, cara. O livro tem sua dose de frases de impacto e elas te fazem perder o fôlego por si só. Quando alguém armado apenas com uma espada mundana para na frente de um dracolich e diz "So be it" antes de partir pra porrada, não tem como não se levantar da poltrona ou abafar um grito de "AWESOME!". Well, não tenho como pra mim, pelo menos.
A história avança num ritmo mais acelerado que o seu romance de fantasia padrão, o que sinceramente é muito bem-vindo. Chega de descrever cafés da manhã. O ritmo é muito acertadinho, porém - a coisa não parece corrida, tudo flui muito naturalmente.
Ah, não aguento mais. Preciso falar do Sammaster logo. Mas antes disso, 6 de 6 no MSQ.
SPOILER ADIANTE VOCÊ FOI AVISADO ENTÃO NÃO RECLAME CACETE
Sammaster. Pra quem não sabe, a história começa assim. Existia esse garoto, Sammaster, mago talentoso e prodigioso, com uma franjinha caindo por cima do olho (se duvidar ele tinha uma cicatriz gay que curiosamente era igual a um relâmpago, até). Sammy vivia feliz e contente com seus amiguinhos rsrsrs (ok não sei se ele tinha amiguinhos, mas aposto que tinha) discutindo quem tinha a maior varinha, onde guardavam os cajados e coisa e tal. Um belo dia, Mystra, a Deusa da Magia olhou pra Sammy e disse "Você será um dos meus Escolhidos". Os Escolhidos de Mystra são magos 00ber que recebem poderes dessa deusa pra serem mais 00ber e fazerem mil coisas sinceramente bem desnecessárias (geralmente atrapalhar as aventuras que um Mestre dedicado cuidadosamente elabora quando um bando de jogadores preguiçosos chegam pra eles chorando e pedindo ajuda - os game designers genialmente deram até endereço fixo pra vários deles). Sammy, recebendo esse dom (que, vamos lembrar, várias outras pessoas possuem) pensa com seus botões enquanto espreme uma espinha na frente do espelho "Puxa, essa tal de Mystra deve estar querendo dar pra mim". Etão ele fica todo lactoso falando "Mystra, Mystra, dá pra mim, dá pra mim, por favor, Mytra, puxa só uma vezinha Mystra, ai, Mystra dá pra mim" e Mystra nada. Chateadinho e butthurt, Sammy erra uma magia e mata um povo. Ele se revolta, decide que a culpa é dos outros e vai se vingar... e é reduzido a um amontado de cocô em com franjinha, porque ele é só uma bicha emo e Mystra é a deusa onipotente da maldita força que Sammaster quer usar contra ela. Enfim, um dos amiguinhos rsrsrs de Sammy (não falei que ele tinha?) o revive e Sammy fica todo revoltado pq Mystra tirou dele seus superpoderes de Escolhido. [NOTA IMPORTANTE: Reparem que até aqui eu não mencionei nenhum dragão] Procurando uma forma de se vingar, ele encontra uma nota de rodapé num livro de profecias de um cara aí (eu acho que Sammy deve ter comprado a bagaça de um mendigo por uma peça de cobre ou coisa assim) dizendo que um dia o mundo vai ser dominado por dragões mortos-vivos. Sammy decide que isso é irado, mas tem um probleminha: não existiam dragões mortos-vivos. Claro, isso pro Sammy não queria dizer que a profecia estava errada, só queria dizer que ele precisava INVENTAR os dragões mortos-vivos. Quero reforçar meu ponto de que Sammy não tinha nenhum amor em especial pelos dragões, erasó uma coisa de "ah, eu não tenho nada melhor para fazer mesmo". Ele pesquisou, convenceu um monte de magos (acho que esse pessoal faz qualquer coisa pra arrumar amigos, sei lá... deviam estar tão solitários que um cara falando "Hey! Vamos ajudar uns bichos maiores e mais fortes que a gente a dominar o mundo, pra eles nos devorarem depois?" parecia uma excelente idéia) a ajudarem-no e após muitas tentativas fracassadas, conseguiu inventar os dracoliches. No processo ele expandiu a nota de rodapé pra um livro inteiro (O Tomo do Dragão), fez robes púrpuras (eles são conhecidos como os Trajados de Púrpura. Isso é gay ou não é?) pro seu grupinho e umas garras fashion que eles prendem ao pulso por braceletes (eu não tô inventando isso, juro). Tá, aí o plano perfeito de Sammyboy esbarrou em um probleminha - dragões já vivem milhares de anos SEM precisarem apodrecer e com isso perder os prazeres da carne. Dragões NÃO QUEREM ser mortos-vivos porque, saca só, eles NÃO PRECISAM. Aí Sammy virou um lich (mas manteve a franjinha) e passou séculos se fodendo, batendo a cabeça na parede e tentando convencer os dragões um por um a virarem liches, geralmente fazendo favores e coisas assim. Claro que as forças que lutam pelo status quo em Faerun (nem só as forças do bem, todo mundo mesmo - Harpistas, Magos Vermelhos, os Escolhidos de Mystra, you name it) não queriam essa bagaça e sempre arruinavam os planos de Sammaster, que ficava a cada dia mais butthurt. Um belo dia enquanto se cortava, fazia as unhas e ouvia Fresno no rádio, Sammy descobriu um jeito de fazer os dragões entrarem numa fúria incontrolável, reduzindo-os a bestas sem mente, num processo longo e penoso que somente uma magia que ELE conhecia podia amenizar e que só podia ser completamente evitado com a transformação em dracolich.
Alguém reparou que esse filho de duas putas está ameaçando a merda do mundo inteiro só porque ele não conseguiu comer uma mulher?! Não tem como não odiar um vilão desses. Bem trabalhado pra cacete.