In brightest day, in blackest night,
No evil shall escape my sight
Let those who worship evil's might,
Beware my power...Green Lantern's light!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Frases de efeito
Parte 1 - It's a no-no... and I like it
Eu geralmente uso frases repetidas ou maneirismos de fala com meus personagens para torná-los mais memoráveis (alguns eu acabo até adotando para mim mesmo, como o "todos temos que fazer sacrifícios" do meu personagem de d20 Apocalypse). Faço isso mais raramente com NPCs, por dois motivos simples:
1) Dá muito trabalho
Uma lição que eu demorei muito, muito tempo pra aprender: não importa o quanto você crie uma história maravilhosa, um visual estonteante, várias habilidades OMFG, armas únicas e cheesy e (tã-dã) frases de efeito para o seu NPC, ele eventualmente vai a) parar de aparecer; b) levar um bruta cacete dos PCs; c) morrer por uma falha crítica/sucesso decisivo e te forçar a comprar um escudo; d) virar puro plano de fundo, estilo Zordon dos Power Rangers ou e) se tornar um plot device deus ex escroto que vai fazer vc se odiar por toda a eternidade.
OK, NPCs são coadjuvantes. O(s) livro(s) básico(s) repetem isso ad infinitum, mas eu mesmo demorei anos pra entender como é. Um dos jeitos mais "fáceis" que o pessoal encontra pra mestrar é ter aquele NPC que é o "PC do mestre". Bad move, bad move.
Tá, tô me afastando da premissa inicial. NPC = coadjuvante. Fine. A não ser que suas aventuras sejam péssimos dungeons crawls sem personalidade (pq existem excelentes dungeon crawls por aí, como Return to the Temple of Elemental Evil ou The World's Largest Dungeon), você vai ter mais de um NPC por aventura e vai querer que todos tenham atenção.
Então você vai gastar tempo definindo a data de nascimento, corte de cabelo, cor favorita, pop star do coração, (tã-dã) frases de feito para CADA MÍSERO NPC NA SUA CAMPANHA? Claro que não. Heck, você nem vai dar nomes para boa parte deles.
Resumindo - frases de efeito/maneirismos de fala para NPCs são divertidos mas podem consumir muito trabalho a toa.
2) Help me, Vadinho!
Você não quer um NPC Vadinho. Não, vc não quer. Vc não quer alguém para quem os PCs vão sair correndo feito crianças que apanharam do irmão mais velho dizendo 'mãe ele me bateu'. Bom, talvez vc queira, mas aí vc tem uns gostos bem esquisitos.
Basicamente, um NPC pode ser importante para um aventura ou duas, mas ele não vai (ou pelo menos não deve) aparecer em todas. Um NPC não deve nunca roubar a spotlight dos PCs - eles são os protagonistas, os heróis. Que graça ia ter Final Fantasy Tactics se o Orlandu descesse o cacete em todo mundo? Oh, let me rephrase that - que graça ia ter FFT se o Orlandu pwned todo mundo SEM SER PARTE DO SEU GRUPO? Not nice, uh?
Muito trabalho (como o item 1) por quase nada, afinal você não quer nenhum engraçadinho dizendo So we realize the real hero is THIS guy. A não ser, é claro, que o Crow esteja na sua mesa de jogo. Aí eu obrigaria todo mundo a jogar com Pumamen e faria um exército de Vadinhos só pra ouvi-lo repetindo.
Parte 2 - Exemplar of examples.
OK, já gastei muito do meu tempo e da sua paciência explicando pq eu (geralmente) NÃO dou tantos detalhes de fala aos meus NPCs. E já expliquei que os motivos para dar maneirismos de fala para seus personagens é que eles são os mais fáceis de perceber - se Sir Garrick Stout fala com uma voz rouca e soturna enquanto vc tem uma vozinha de soprano, faça uma voz meio rouca enquanto for Sir Garrick falando. Isso até ajuda o mestre, ele não vai perguntar "Sir Garrick disse isso?" pq vai ser claro quando for Sir Garrick falando. E é mais fácil lembrar que Tellani a Raposa chamava todos os homens de 'rapaz(ote)' que lembrar que ela tinha Bluff +22.
Dos personagens de Baldur's Gate II, o favorito da enorme maioria dos jogadores é o Ranger Minsc. Ele tem uma história esdrúxula, atributos bons (a segunda maior Força do jogo, Dex e Con OK, o resto mto baixo), habilidades mto mal escolhidas (ele sabe combater com duas armas e é especializado em... espada de duas mãos?!) e a pior habilidade especial do jogo (berserk - basicamente, ative para Minsc matar os inimigos E o seu grupo. Seu grupo ANTES, provavelmente). Mas então, pq ele é o mais popular? Suas falas, claro. Minsc tem falas maravilhosas. Exemplos:
Swords, not words!
Jump on my sword while you can, evil! I won't be as gentle!
Despair not! I shall inspire you by charging blindly on!
I grow tired of shouting battle cries when fighting this mage. Boo will finish his eyeballs once and for all, so he does not rise again! Evil, meet my sword! SWORD, MEET EVIL!!
I trust those who prey on children no farther than they can be thrown, even if I manage to throw them pretty far!
Parte 3 - Tá, OK, você me convenceu, eu vou arrumar umas frases de efeito pro meu personagem de GD antes que vc me esmurre, Shinken!
Now that is the spirit. Onde achar boas referências e inspirações? Ah, pode deixar comigo.
http://en.wikiquote.org/wiki/Baldur%27s_Gate tem uma excelente lista de citações sobre Baldur's Gate, um jogo com frases muito memoráveis.
http://www.gamefaqs.com/ pode te dar várias idéias, existem vários scripts de vários jogos com bons diálogos, como Valkyrie Profile, Xenogears, Chrono Cross e coisa e tal.
Umas guidelines boas são fazer dois ou três battlecries, que são provavelmente os momentos emque vc vai estar mais disposto a usar frases prontas de qq jeito.
Adicionar uma palavra/expressão ao final de quase todas as frases (como o ya know do Raijin em FFVIII) dá um bom tom de personalidade.
Se seu personagem é membro de uma raça exótica, organização ou coisa assim, frases de efeito são uma boa pra lembrar todo mundo na mesa (incluindo o mestre, que se esquece das coisas às vezes) disso. Baldur's Gate tinha Haer'Dalis que gritava For the Doomguard, I strike a blow! com seus critical hits. Valkyrie Profile tinha Arngrim e seu Now die and be silent!, demonstrando bem sua personalidade ruthless. Neverwinter Nights tinha Tomi Undergallows e seu Here comes halfling death! deixando bem claro que esse rapaz não era um simples hobbit de pés peludosm (é, Belkar vc não foi o primeiro halfling psycho, meus pêsames).
Enfim, recomendo e gostaria muito que todos os personagens de GD tivessem suas frases típicas, maneirismos de fala e coisa e tal. Vamos trabalhar nisso, savvy?
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Culpa
Então, tem esses sentimentos que a gente acha bons e procura ter mais deles sempre que possível. Vamos expandir um pouco, sentimentos só não, sensações tb, kz? Assim dá pra levar em consideração sexo & such. I mean, sexo ñ é uma sensação mas o prazer é e coisa e tal. OK, existem sentimentos e emoções bons, granted, drill this into your head.
Algumas pessoas gostam de sentimentos/sensações diferentes. Tem gente que gosta de dor - todo esse mundinho sadomasoquista bizarro por aí não me deixa mentir. Tem gente que gosta de medo - aliás, a maior parte das pessoas gosta de medo controlado, por isso filmes de terror fazem tanto sucesso. Dizem que tem gosto pra tudo, né. Mas enfim, o ponto é que isso é mais uma ampliação que qualquer outra coisa - todos esses sentimentos/sensações mesmo que ruins em um sentido geral tem alguma coisa boa. Tipo, a dor. Se você acha que sentir dor é uma merda, você é um puta de um imbecil - dor é um mecanismo de defesa eficiente, um jeito de vc saber "Ei, isso aqui vai me foder se eu continuar". Medo é a mesma coisa - um mecanismo de defesa, um jeito de te manter vivo.
Vamos ver amor e ódio. Amor é uma coisa boa, todo mundo diz que é uma coisa boa. Mas e os crimes passionais? E os corações partidos? Quanta gente fica cega por amor a uma religião, à pátria ou mesmo a um time de futebol? Amor pode ser bom, mas tem seu lado ruim também. Amor te fode muito, cara. Quando você ama alguém e a pessoa sofre, você sofre junto. Então tá definido, né? Amor não é completamente bom.
E o ódio? Ódio é ruim, já dizia mamãe. Será? Ódio é uma força condutora, tão ou mais forte que o amor. Tem pessoas que só ficam vivas por causa do ódio. E apesar de não ser exatamente ódio, a sensação de vingança realizada é muito boa, como todo mundo pode atestar (se vc nunca se vingou por nada, vai se foder). Ódio pode ser bom, sim, cacete. Um monte de soldados só sobrevivem às guerras por causa de ódio. Às vezes o ódio é tão forte que faz a pessoa realizar grandes feitos - tem gente que só teve cu de estudar decentemente e entrar pra uma faculdade boa por ódio (isso não é só raiva, porra) de professores específicos. Tem gente que só emagrece por ódio de quem o destrata por ser gordo (se vc for pensar assim, tá até fazendo um favor pros gordos chamando eles de gordos... j/k).
Tá, e a culpa? O que a merda da culpa tem de bom?
Culpa te faz sentir mal. Te faz sentir muito mal. Te põe pra baixo, te impede de ficar alegre. É uma força avassaladora - vc pode acabar fazendo muitas coisas por causa da culpa, coisas grandes, mudando o rumo da sua vida, atravancando a sua felicidade. Culpa é uma merda. Culpa é furtiva, até. Muitas vezes você nem percebe que está fazendo isso ou aquilo por causa da culpa. E quando se dá conta, se sente ainda pior.
Culpa é o único sentimento/sensação que não tem NADA de bom. Não é um mecanismo de defesa, não te dá forças, não faz nada além de te foder. Culpa só te deixa triste, se sentindo uma pessoa pior, te obrigando a fazer o que você não quer.
Felizes são os psicopatas.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
It's just a ride
Bill Hicks
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Reflexo de um julho perdido
- Não é a primeira vez. - ele murmurou para mais ninguém.
Em outro lugar, a bordo de um avião, uma jovem lia um romance de R.A. Salvatore. Ela não demonstrava a menor intenção de olhar para os lados, para a frente e (especialmente) para trás - sua atenção focava-se, única e exclusivamente, na leitura. A literatura de fantasia sempre lhe pareceu tola, fraca, sem valor - nada melhor para passar o tempo em uma viagem como aquelas, nada para lhe ocupar os pensamentos. E ela lia e seguia, sem se importar, sem olhar para trás.
Ele observava o céu da noite. Não é a primeira vez, repetiu para si mesmo mentalmente. Que direito ele tinha de se chatear, que direito ele tinha de se irritar, que direito ele tinha afinal? Nenhum. Fui eu quem fiz isso comigo mesmo. E a culpa pesava. Revendo minhas atitudes, só posso me arrepender.
- Eu sinto sua falta! - gritando para o céu. - E do jeito como tudo costumava ser.
Ela lia. E sorria.
- Uma soda, por favor. - sem olhar para a aeromoça.
- Laetitia! - ele gritou, dedos cravados no batente, sem pensar. - Você me destrói! - Não consigo entender como eu me sinto tão sozinho...
- Nós nunca poderíamos ficar juntos para sempre. - ela disse após um gole de soda, o livro fechado, indicador marcando a página. Quando o livro se abriu ela continuou não olhando para trás mas também não sorriu.
- Eu sei que você pode me ver! - e lágrimas brotando devagar.
Ele correu seus olhos pelo quarto. Livros. Lembranças. Julho parecia muito distante, um sonho, uma brincadeira para todos, exceto para ele. Apenas palavras.
- Como se acontecer não fosse o suficiente... - a voz embargada, murmúrios para mais ninguém.
Ficou quieto, não se sentiu bem, passeou pela cozinha. Lembranças. E agora eu quero te matar como só um melhor amigo pode. Mas a raiva passa.
Um avião, músicas, atenção dispersa. Olhos no agora, nem no passado nem no futuro. E no fundo ela sabia que não lembrava porque não queria. É isso que você chama de tato? Ela se perguntou. É isso que você chama de fuga?. Ela suspirou. Vamos terminar esse pensamento e essa conversa.
E chorando, ele concluiu. Mesmo que o avião caia, ela vai me desapontar. Não vai se queimar nas ferragens nem se afogar no fundo do mar. Laetitia, eu me reservo o direito de te odiar. Ele riu do pensamento idiota. Olhou pela janela mais uma vez.
- Amor. Ódio. E tem você. - e ela olhou para trás pela janela. E sorriu tristemente.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
O dia em que ela parou de tentar (e conseguiu)
Ela parada diante de uma loja de relógios. Quando criança, achava o tic tac constante reconfortante e gostava de observar os diferentes relógios – as torres de mogno, os pequenos circulares pendurados nas paredes, os cucos.
O céu cinzento vomitava minúsculas gotas de chuva fria que atingiam ritimadamente o pequeno guarda-chuva preto que ela segurava em uma mão; a outra estava enfiada na bolsa, segurando alguma coisa com força. Vestia um sobretudo marrom-escuro, um par de botas recém engraxadas, calças de brim e camiseta. A maquiagem aplicada com perfeição milimétrica no rosto tentava disfarçar qualquer imperfeição que tivesse surgido nos últimos anos. Os olhos, pequenos do choro da noite anterior, corriam de um lado para o outro da rua deserta.
E ele apareceu diante dela, saído de lugar nenhum. Cabelo despenteado, a barba por fazer, jeans e camiseta, exatamente como ela se lembrava. Mãos dentro dos bolsos.
- Oi. – ele disse, um meio sorriso se formando.
- Oi. – ela respondeu, num misto de assustada e ansiosa.
Continuaram se olhando. Ela segurando o guarda-chuva e ouvindo o tic tac para se fingir segura. A chuva continuava e ele impassível, mantendo seu eterno meio sorriso. Ela pensando na última vez que o vira sorrir por completo.
- Então. – ele começou, sabendo que ela não o faria. – Você me chamou aqui.
Ela apenas acenou com a cabeça.
- Pra gente ficar junto. – ele concluiu. E ela acenou.
Mais silêncio, mais chuva. E ela apertando alguma coisa dentro da bolsa.
- Então, é assim...? – o meio sorriso dele quase se desfez. – Pensei que... Existem outros jeitos.
- Prefiro assim. – ela quase chorando.
- Conseguiu com seu tio? Ele é militar, não é?
- Ele é. Mas não contei nada. – ela chorando, arruinando a maquiagem.
- Não é que eu não queira. – ele passou a mão pelos cabelos secos. – Tudo que eu quis nesses últimos anos... foi ter você. Ter você comigo. Ter você comigo de novo. Mas, mas assim? Não sei. E as crianças?
- Ficam com a minha mãe. Já está tudo certo. Eu tenho dinheiro guardado. Não vai faltar nada para elas. – os nós dos dedos dela brancos, apertando o guarda-chuva e uma coisa dentro da bolsa.
- Eu senti muito a sua falta. – e ele completou o sorriso.
- Eu sinto muito a sua falta. – e mais lágrimas, borrando a maquiagem.
- Então vou estar te esperando. – um passo para trás.
E um estrondo surdo, um estampido. E cheiro de pólvora. E cheiro de sangue. E a chuva caindo.