sábado, 24 de maio de 2008

Nicolai does his thing

Nicolai <> Floretes e Devaneios - diz:
é o lado sadomasoquista em todos nós
Nicolai <> Floretes e Devaneios - diz:
é representada, visualmente, pelo cinto com um piru de borracha
Thiago Shinken // Denial, revisited diz:
...
Nicolai <> Floretes e Devaneios - diz:
ah, vamos, vc entendeu
Nicolai <> Floretes e Devaneios - diz:
é uma metáfora extremamente bela e rica em sentidos
Nicolai <> Floretes e Devaneios - diz:
ao mesmo tempo, simples

domingo, 30 de março de 2008

Last Love Song

Hold up until I stop to cry.
You told the truth, now you deny.
You can grow up, you can be mine.
Don't ask me why, I think that I hate you.
It all ended soon but you made me a better one;
at least the next will know
all that I’ve learned from you.
But I needed you,
and this is the last love song.
But I trusted you,
and this is the last love song to you...

Every time I close my eyes
bad memories just fall apart.
Good times were few
but they are the ones kept in my mind.

Hold up until I stop to cry.
You told the truth, now you deny.
You can grow up, you can be mine.
Don't ask me why, I think that I hate you.
It all ended soon but you made me a better one;
at least the next will know
all that I’ve learned from you.
But I needed you,
and this is the last love song.
But I trusted you,
and this is the last love song to you...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pavor (repostagem)

Existem algumas coisas das quais eu tenho pavor. Medo eu tenho de várias coisas, mas pavor... o pavor, real e absoluto, que gela o sangue (água ou fogo?) das suas veias, deixa seu corpo tremendo, a garganta seca, os pulmões parecendo vazios mesmo quando cheios de ar... pavor só de algumas coisas. Pavor do preto e do vermelho. Da sombra nos cantos, sempre fugindo à visão, no âmago do ser, do vazio maior que o todo que não se pode explicar, da apatia sombria, escura e fria que se espalha feito doença, uma praga interior, um câncer transparente, uma tristeza viscosa que se expande, uma aranha esguia e esperta prendendo minha alma numa teia. Do rubro flamejante, voraz, que engole até mesmo o azul, o verde e o branco, um carmesim selvagem, descontrolado... meu demônio escarlate, mantido preso em uma jaula cujas trancas teimam em falhar, cujas barras eventualmente vão se dobrar.

Pavor? Pavor eu só tenho de mim mesmo.

Desengano da vista

Foi ao médico logo cedo. Era uma consulta de rotina, ele bem sabia, coisa comum para quem se preparava para uma promoção na empresa em que trabalhava. Se lembrava claramente da secretária lhe avisando: "Há um exame médico marcado para o senhor". Um sorriso se desenhava involuntariamente em seus lábios, da mesma forma que quando recebera a notícia, sempre que a lembrança atravessava sua mente.

"Pode entrar, senhor."

A secretária do oftamologista era linda. Esguia, cabelos castanhos cuidadosamente presos em um coque, nenhum fio fora de lugar, óculos quadrados de aro grosso, traços finos e delicados, um certo ar europeu que o forçava a observá-la com atenção. O terno branco era elegante, vestia bem a jovem moça. Ela tinha, o que, uns 22 anos? Jovem, sim, não tão mais jovem que ele (mal havia passado dos trinta, gostava de lembrar). O paletó lhe parecia um pouco decotado demais, mas talvez fosse sua imaginação. Seus olhos por vezes o enganavam. Via um cachorro e pensava ser bem maior do que devia, via um buraco e achava ser mais fundo. Agora via um decote mais ousado do que realmente era.

"Não que eu esteja reclamando", murmurou para si mesmo enquanto finalmente entrou no consultório.

O médico o olhou por detrás da mesa, se levantou e apertou sua mão efusivamente, balançando-a com vigor. Era um homem pequeno, um pouco careca, barrigudo, mas um médico muito respeitado.

- Pode sentar. - disse o doutor, examinando os papéis que o paciente entregara. - Oh, sim, seus exames. Agora é só pegar a promoção, hein?

Ele apenas sorriu. O que mais podia dizer? Era a mais simples verdade.

O médico, porém, leu e releu os exames. O paciente começou a ficar preocupado. O que estava acontecendo?

- Doutor...? - perguntou, hesitante.

- É... é muito difícil para mim dizer isto. - o médico esfregou os olhos, suspirou, deu um tapa estalado na própria perna. - O senhor está cego.

Piscou. Olhou para o médico, prendendo seu olhar, envisando o fundo dos olhos negros do profissional da saúde. Olhou para as próprias mãos, as abriu e fechou. Leu a placa de PhD do doutor na parede.

- Doutor, minha visão está perfeita. - concluiu.

- Você deve procurar uma forma de aprender braile, comprar um cachorro. Um labrador. - suspirou. - Desculpe, devia ter percebido enquanto era tempo. Cego e sem cura. Mil perdões.

Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto do médico. E o paciente as via claramente. Sentindo-se em um ambiente surreal, feérico, ele se levantou bruscamente e saiu.

"Cego", resmungou sozinho. Que médico idiota.

Olhou para os dois lados, a rua completamente vazia, como se estivesse no Centro da cidade em uma manhã de domingo. Caminhou em segurança para atravessá-la e chegar a seu carro.
Foi quando um ônibus o atingiu em cheio. A última coisa que pensou foi "Médico filho da puta".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Frases de efeito

Poucas coisas são tão marcantes em personagens quanto frases de efeito. No caso de personagens de RPG, onde a única impressão que temos deles são o que os jogadores dizem e as habilidades que usam na mesa, mais ainda.

Parte 1 - It's a no-no... and I like it
Eu geralmente uso frases repetidas ou maneirismos de fala com meus personagens para torná-los mais memoráveis (alguns eu acabo até adotando para mim mesmo, como o "todos temos que fazer sacrifícios" do meu personagem de d20 Apocalypse). Faço isso mais raramente com NPCs, por dois motivos simples:
1) Dá muito trabalho
Uma lição que eu demorei muito, muito tempo pra aprender: não importa o quanto você crie uma história maravilhosa, um visual estonteante, várias habilidades OMFG, armas únicas e cheesy e (tã-dã) frases de efeito para o seu NPC, ele eventualmente vai a) parar de aparecer; b) levar um bruta cacete dos PCs; c) morrer por uma falha crítica/sucesso decisivo e te forçar a comprar um escudo; d) virar puro plano de fundo, estilo Zordon dos Power Rangers ou e) se tornar um plot device deus ex escroto que vai fazer vc se odiar por toda a eternidade.
OK, NPCs são coadjuvantes. O(s) livro(s) básico(s) repetem isso ad infinitum, mas eu mesmo demorei anos pra entender como é. Um dos jeitos mais "fáceis" que o pessoal encontra pra mestrar é ter aquele NPC que é o "PC do mestre". Bad move, bad move.
Tá, tô me afastando da premissa inicial. NPC = coadjuvante. Fine. A não ser que suas aventuras sejam péssimos dungeons crawls sem personalidade (pq existem excelentes dungeon crawls por aí, como Return to the Temple of Elemental Evil ou The World's Largest Dungeon), você vai ter mais de um NPC por aventura e vai querer que todos tenham atenção.
Então você vai gastar tempo definindo a data de nascimento, corte de cabelo, cor favorita, pop star do coração, (tã-dã) frases de feito para CADA MÍSERO NPC NA SUA CAMPANHA? Claro que não. Heck, você nem vai dar nomes para boa parte deles.
Resumindo - frases de efeito/maneirismos de fala para NPCs são divertidos mas podem consumir muito trabalho a toa.

2) Help me, Vadinho!
Você não quer um NPC Vadinho. Não, vc não quer. Vc não quer alguém para quem os PCs vão sair correndo feito crianças que apanharam do irmão mais velho dizendo 'mãe ele me bateu'. Bom, talvez vc queira, mas aí vc tem uns gostos bem esquisitos.
Basicamente, um NPC pode ser importante para um aventura ou duas, mas ele não vai (ou pelo menos não deve) aparecer em todas. Um NPC não deve nunca roubar a spotlight dos PCs - eles são os protagonistas, os heróis. Que graça ia ter Final Fantasy Tactics se o Orlandu descesse o cacete em todo mundo? Oh, let me rephrase that - que graça ia ter FFT se o Orlandu pwned todo mundo SEM SER PARTE DO SEU GRUPO? Not nice, uh?
Muito trabalho (como o item 1) por quase nada, afinal você não quer nenhum engraçadinho dizendo So we realize the real hero is THIS guy. A não ser, é claro, que o Crow esteja na sua mesa de jogo. Aí eu obrigaria todo mundo a jogar com Pumamen e faria um exército de Vadinhos só pra ouvi-lo repetindo.

Parte 2 - Exemplar of examples.
OK, já gastei muito do meu tempo e da sua paciência explicando pq eu (geralmente) NÃO dou tantos detalhes de fala aos meus NPCs. E já expliquei que os motivos para dar maneirismos de fala para seus personagens é que eles são os mais fáceis de perceber - se Sir Garrick Stout fala com uma voz rouca e soturna enquanto vc tem uma vozinha de soprano, faça uma voz meio rouca enquanto for Sir Garrick falando. Isso até ajuda o mestre, ele não vai perguntar "Sir Garrick disse isso?" pq vai ser claro quando for Sir Garrick falando. E é mais fácil lembrar que Tellani a Raposa chamava todos os homens de 'rapaz(ote)' que lembrar que ela tinha Bluff +22.
Dos personagens de Baldur's Gate II, o favorito da enorme maioria dos jogadores é o Ranger Minsc. Ele tem uma história esdrúxula, atributos bons (a segunda maior Força do jogo, Dex e Con OK, o resto mto baixo), habilidades mto mal escolhidas (ele sabe combater com duas armas e é especializado em... espada de duas mãos?!) e a pior habilidade especial do jogo (berserk - basicamente, ative para Minsc matar os inimigos E o seu grupo. Seu grupo ANTES, provavelmente). Mas então, pq ele é o mais popular? Suas falas, claro. Minsc tem falas maravilhosas. Exemplos:
Swords, not words!
Jump on my sword while you can, evil! I won't be as gentle!
Despair not! I shall inspire you by charging blindly on!
I grow tired of shouting battle cries when fighting this mage. Boo will finish his eyeballs once and for all, so he does not rise again! Evil, meet my sword! SWORD, MEET EVIL!!
I trust those who prey on children no farther than they can be thrown, even if I manage to throw them pretty far!

Parte 3 - Tá, OK, você me convenceu, eu vou arrumar umas frases de efeito pro meu personagem de GD antes que vc me esmurre, Shinken!
Now that is the spirit. Onde achar boas referências e inspirações? Ah, pode deixar comigo.
http://en.wikiquote.org/wiki/Baldur%27s_Gate tem uma excelente lista de citações sobre Baldur's Gate, um jogo com frases muito memoráveis.
http://www.gamefaqs.com/ pode te dar várias idéias, existem vários scripts de vários jogos com bons diálogos, como Valkyrie Profile, Xenogears, Chrono Cross e coisa e tal.
Umas guidelines boas são fazer dois ou três battlecries, que são provavelmente os momentos emque vc vai estar mais disposto a usar frases prontas de qq jeito.
Adicionar uma palavra/expressão ao final de quase todas as frases (como o ya know do Raijin em FFVIII) dá um bom tom de personalidade.
Se seu personagem é membro de uma raça exótica, organização ou coisa assim, frases de efeito são uma boa pra lembrar todo mundo na mesa (incluindo o mestre, que se esquece das coisas às vezes) disso. Baldur's Gate tinha Haer'Dalis que gritava For the Doomguard, I strike a blow! com seus critical hits. Valkyrie Profile tinha Arngrim e seu Now die and be silent!, demonstrando bem sua personalidade ruthless. Neverwinter Nights tinha Tomi Undergallows e seu Here comes halfling death! deixando bem claro que esse rapaz não era um simples hobbit de pés peludosm (é, Belkar vc não foi o primeiro halfling psycho, meus pêsames).

Enfim, recomendo e gostaria muito que todos os personagens de GD tivessem suas frases típicas, maneirismos de fala e coisa e tal. Vamos trabalhar nisso, savvy?