terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Fastest man alive


"Wally West é o homem mais rápido do mundo."
Uma das primeiras coisas que eu me lembro de ler em quadrinhos foi Wally correndo contra o Super-Homem (pq na época nenhum palhaço tinha decidido chamá-lo de Superman), numa competição armada pelo Mxyzptlk. Com muito esforço, Wally venceu a corrida.
Dali eu acompanhei as histórias do Flash (que saíam na revista dos Titãs, acho), com suas histórias divertidas e a personalidade cativante do Wally. Eu adorei Velocidade Terminal. Era a história que eu mais esperava pra ler a cada mês. Nela eu conheci o Bart, que é outro personagem irado. O Barry eu conheci muito pouco. Só do seriado da TV praticamente.
Sabe, trocar o personagem por trás da máscara é difícil. Os fãs não costumam aceitar. Kyle Rayner nunca vingou como Lanterna Verde, Ben Reilly também não foi popular como Homem-Aranha, nem preciso falar de Jean-Paul Valley como Batman. Com Wally não foi assim. Os fãs o aceitaram e ele conquistou seus próprios fãs, se tornou mais Flash que Barry no final das contas - os desenhos animados e videogames SEMPRE se espelham em Wally em vez de Barry para definir como vai ser seu Flash.
Então a DC ressucita Barry Allen, jogando fora o símbolo de sua morte, jogando fora a única vez em que trocar a pessoa por trás da máscara funcionou. Tudo bem. Acontece.
Aí a DC diz que Wally vai, sim, ter histórias publicadas. Falam que ele vai ter um traje que vai identificá-lo bem. Trazem o Bart de volta, dizem que vão dar um título pra ele... É, SÓ QUE NÃO.
Só que a DC tem que voltar atrás e dizer pra todo mundo que lê Flash, esse povo que em geral nasceu depois de Barry Allen ter morrido que foda-se tudo, que o homem mais rápido do mundo é Barry Allen, não Wally West.
Sério, tem alguma coisa MUITO ERRADA nesse jeito de fazer quadrinhos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Gris

A cada ano as estações pareciam perder mais da sua identidade. O inverno era quente e o dia mais frio do ano era registrado no verão. Era alto outono e finalmente parecia outono. Sua estação favorita.
Ela tamborilou nervosamente os dedos na janela, soltando a tinta branca e gasta da madeira igualmente velha e gasta. Chovia fino, um sol tímido aquecia de leve mas o vento gelado convidava um agasalho. Nos lábios secos ela carregava um sorriso, divagando.
Calçou um par de botas de camurça, cano curto. Meia-calça, camiseta listrada, saia de pregas. Tons de preto, branco e cinza. Uma roupa de outono, pelo menos para ela.
"Hoje volto para casa mais cinza ainda."
E boina. E chave. E foi.

Unrelated note: Com esse post, Crepúsculo Esmeralda alcança a marca de 45 posts em 2009, exatamente a soma do total de posts em 2007 e 2008.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Almas Condenadas (Fingerprints)

Quem me conhece sabe que eu aprecio um bom filme ruim. São aqueles filmes que são tão sinceros em sua tosquice, tão engraçados em seus erros, tão flagrantes em seus atores ruins que se tornam mais divertidos que vários filmes produzidos de forma mais sóbria.
Almas Condenadas não é um desses filmes. É só uma merda mesmo.
Título Original: Fingerprints
Título no Brasil: Almas Condenadas (é, wtf?)
Diretor: Harry Basil (Não conhecia? Nem eu. Mais detalhes sobre ele no texto principal.)
Gênero: Horror
Lançamento: 2006
De alguma forma, esse filme conseguiu ganhar o prêmio de Best Feature no New York City Horror Film Festival. Acho que vou mandar uma fita pra lá ano que vem, então.
Pra começar, o título do filme em inglês é pelo menos interessante e tem relação com o plot. Claro, todo mundo sabe que tradução de título no Brasil é uma ciência coisa extremamente sem nexo, então acabamos com Almas Condenadas que deve ser o nome de filme de terror mais genérico de todos os tempos.
O conceito do filme ficou bem claro pra mim: unir o gênero horror adolescente do começo dos anos 90 com o filão do horror japonês que está tão na moda agora no século XXI... tudo isso com um orçamento baixo. Temos adolescentes mortos quando vão transar por um psicopata mascarado, temos os conflitos adolescentes, temos os atores de 30 anos interpretando personagens de 15 - tudo isso salpicado com fantasmas de criança e os sustos mais manjados desde A Hora do Pesadelo.
O plot é ruim, mas podia ser pior. Melanie (Leah Pipes, figurinha carimbada em seriados) é uma adolescente se mudando para uma nova cidade após uma experiência de quase morte, overdose (não falam de que, mind you) e perda de namorado. Na nova cidade, Melanie é a única pessoa que se veste feito emo e sua irmã Crystal (Kristin Cavallri) é a gostosinha local, que fofoca pra todo mundo como a irmã fez rehab e a leva para uma festa. Na festinha, o povo zoa Melanie bla-bla-bla, você já sabe como isso vai terminar. Claro que tem um namoradinho bonitinho, a única pessoa gentil com Melanie. E ele é interpretado pelo pior ator do filme. Sério. Ele consegue ser ruim que o cara que interpreta o bad boy da escola, que só foi contratado por parecer (de longe) com o Brendan Frasier. Enfim, namoradinho, irmã, fantasmas.
Ah, os fantasmas. Na cidadezinha tem uma história de terror e um lugar mal-assombrado, claro. 50 anos atrás, um ônibus escolar cheio de crianças foi destruído na linha do trem e os fantasmas das crianças empurram carros deixados em ponto morto nos trilhos, deixando neles marquinhas de mãos (daí o título, sacou?). Então, Melanie é a única que pode ver os fantasmas e depois 50 anos caladinhos eles querem botar a boca no trombone. Não me surpreende eles escolherem a Melanie pra revelar sua historinha triste, já que o resto da cidade não tem cérebro. O conselheiro da escola é assassinado dentro do próprio escritório enquanto estava no telefone com o filho e ninguém perceber. Eu quero dizer que ninguém percebe MESMO. Não mencionam o fato o resto do filme.
Enfim. É uma bomba com B maiúsculo.
Sidenote: o diretor Harry Basil é responsável por isso aqui. Esse deve ser um bom filme ruim, pelo menos.

sábado, 21 de novembro de 2009

Amor à deriva (Yu Yu Hakusho)

Putz, a trilha sonora de YYH dublada é muito foda.
O espelho se quebra e te reflete
Só vejo tristeza nos teus olhos.
Não sei dizer, nem sei porque
é sempre tão difícil te encontrar.
Ouço a tua voz a me chamar.
Sigo noite a dentro a te procurar.
Só você pra me dizer
que tudo que eu preciso é viver.
Nessa noite eu quero
sentir você mais perto de mim,
te envolver em meus braços
e ver a força deste amor não ter mais fim...
Nosso amor assim feito um barco,
com seus altos e baixos, à deriva no mar.
No meu peito bate a certeza
de que toda tristeza vai acabar.
Vai acabar...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ela usava um All-Star

Ela era uma mulher que mesmo de All-Star parecia que usava salto alto. Vanessa tinha presença. Era uma mulher, não era só uma menina e isso tinha muito pouco a ver com idade e experiência sexual. Eu disse que ela tinha presença? Não; ela era a definição de presença.
Claro que ela era bonita. Não era linda, maravilhosa; não, nada disso. Ela era bonita nos detalhes. Vanessa tinha cabelo castanho-claro, olhos cor-de-mel e um corpo compacto. Do alto de seus dezesseis anos, era mais alta que a maior parte dos meninos com quem convivia, tinha uma voz poderosa e um olhar de leoa. O tipo de pessoa que quando fala, faz todo mundo inconscientemente calar a boca. O sorriso de Vanessa não era barato nem banal e por isso mesmo era lindo.
Ela tinha atitude. Dizia o que pensava, lutava pelo que queria, não fugia de conflito. De algum jeito, acho que ela até gostava de conflito, gostava de um desafio. Ela era quieta, mas carismática. Não se esforçava para fazer amizades, para ser sociável, mas aqueles que se aproximavam dela de uma forma ou de outra acabavam enfeitiçados pelo carisma violento de seus olhos cor-de-mel e sorriso raro.
Vanessa era o tipo de mulher que todos desejavam, ainda que secretamente. Talvez por isso ela fosse tão solitária. Vanessa tinha presença, Vanessa tinha atitude, Vanessa tinha um raro sorriso cativante e Vanessa inspirava cautela.